As orientações aprovadas na 2ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco determinam que os governos devem seguir orientações para estabelecer ambientes livres do tabaco. No Brasil, já existe uma iniciativa neste sentido em curso... No dia 29 de agosto Dia Nacional de Combate ao Fumo - a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo lançará o selo Ambiente Livre do Tabaco para estabelecimentos comerciais, prédios públicos e empresas interessadas em coibir o fumo em suas dependências. O selo não será obrigatório, mas tem o objetivo de garantir que o tabaco não prejudique a saúde de quem não é fumante. Aqueles que extinguirem o fumo em suas dependências serão premiados com o selo. Para receber o certificado, os estabelecimentos serão vistoriados por agentes da Vigilância Sanitária que confirmarão se a fumaça do cigarro inexiste.Segundo estudo publicado pelo Instituto Nacional do Câncer, INCA, além dos riscos para os fumantes, o tabagismo passivo é causa de doenças, inclusive câncer de pulmão e infarto, em não fumantes. Pesquisas recentes do órgão mostram que mulheres e crianças são os grupos de maior risco na exposição passiva em ambiente doméstico. O tabagismo passivo se caracteriza pela
inalação da fumaça de derivados do tabaco - cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo e outros produtores de fumaça - por indivíduos não-fumantes, que convivem com fumantes em ambientes fechados.
Os fumantes correm um risco maior de adoecer por câncer e outras doenças crônicas do que os não-fumantes. Principal causa isolada evitável do câncer de pulmão, o tabagismo é também fator de risco para câncer de laringe, pâncreas, fígado, bexiga, rim, leucemia mielóide e, associado ao consumo de álcool, de câncer da cavidade oral e do esôfago.
Fumantes passivos também sofrem com os efeitos da poluição tabagística ambiental, tais como, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). Outros efeitos a médio e longo prazo são: a redução da capacidade funcional respiratória, aumento do risco de ter aterosclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças. Em relação à saúde reprodutiva, o tabagismo é um entrave real para o casal que deseja engravidar.
Tabagismo x fertilidade
Na mulher...
O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso da primeira gestação. Refletindo numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na gametogênese ou na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda subclínica após implantação. Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino.
No Brasil, um estudo realizado entre estudantes de 10 capitais brasileiras, revelou que, em pelo menos sete capitais, as meninas vêm experimentando cigarros em maior proporção que os meninos, sobretudo nas faixas etárias mais jovens.
Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os efeitos da dependência do tabaco era mais forte nos homens, mas à medida que novas gerações de fumantes foram chegando verificou-se que, as mulheres são igualmente ou mais suscetíveis aos malefícios do fumo, devido às peculiaridades próprias do sexo, como a gestação e o uso da pílula anticoncepcional. A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média 2 anos antes) e dismenorréia (sangramento).
O risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais e fumam chega a ser dez vezes maior do que o das mulheres que não fumam e usam este método de controle da natalidade. Segundo dados do INCA, o tabagismo é responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos de idade.
Fumar durante a gravidez também pode proporcionar, mais freqüentemente, abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia.
A gestante que fuma apresenta mais
complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma. Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno. De acordo com dados do INCA, um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular.
Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. Entre as mulheres que convivem com fumantes, principalmente seus maridos, há um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão em relação àquelas cujos maridos não fumam. Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue são repassadas para o feto. Quando a mãe fuma, durante a amamentação, a nicotina é repassada pelo leite e é absorvida pela criança.
No homem...
O tabagismo masculino está associado à redução na qualidade do sêmen, incluindo concentração de espermatozóides, motilidade, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais.
O hábito de fumar, com o passar dos anos, estabelece um declínio na capacidade reprodutiva masculina de maneira progressiva. Existem inúmeros trabalhos científicos demonstrando este efeito deletério do cigarro sobre a fertilidade masculina. Uma meta-análise demonstra que pacientes fumantes apresentam um decréscimo médio de 10% na motilidade espermática, 13% na concentração espermática e 3% na morfologia espermática. O volume seminal apresenta-se diminuído em pacientes fumantes, estratificados de acordo com o número de cigarros fumados por dia, quando comparados aos pacientes não fumantes.
O tabagismo também pode causar uma diminuição da fertilidade por alterar os níveis hormonais séricos de testosterona e de estradiol, e por provocar alteração no DNA dos espermatozóides. Costumamos recomendar àqueles indivíduos que apresentam sêmen de qualidade marginal e história de infertilidade, que deixem de fumar para que haja uma melhora da qualidade do sêmen com a interrupção do tabagismo.
Como você superou o vício do cigarro durante a gestação?