Uma pesquisa mundial feita com cerca de 3 mil pacientes soropositivos de 18 países (incluindo o Brasil) mostrou que o maior medo dos portadores de HIV é o preconceito e a exclusão social.
A pesquisa, chamada ATLIS (AIDS Treatment for Life International Survey ou Pesquisa sobre Tratamento para a AIDS em Âmbito Internacional), foi conduzida em adultos HIV positivos de cinco regiões: América do Norte (Estados Unidos), América Latina (Argentina, Brasil, México e Caribe), Europa (França, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha e Reino Unido), região da Ásia/Pacífico (Japão, Coréia, Malásia, Nova Zelândia e Cingapura) e África (África do Sul).
O estudo foi conduzido pela IAPAC (International Association of Physicians in AIDS Care - Associação Internacional de Médicos no Atendimento à AIDS), em parceria com a Ipsos Insight Health, uma agência independente de pesquisa de mercado, e contou com verba educacional outorgada pela norte-americana Merck & Co., que opera no Brasil como Merck Sharp & Dohme.
Os resultados indicam que, embora grandes passos tenham sido dados, as pessoas que vivem com AIDS ainda têm medo do estigma social relacionado à doença. Mais da metade dos entrevistados da pesquisa (54%) estão muito ou um tanto preocupados com o fato de outras pessoas conhecerem seu status de HIV positivos, com 83% alegando que isto se deve predominantemente à preocupação com a discriminação social e o estigma.
Os participantes da pesquisa também demonstraram preocupação com o afastamento de membros da família e amigos (41%), o impacto sobre sua capacidade de estabelecer futuros relacionamentos (37%), o risco de perder o emprego (36%) e o impacto sobre sua reputação (36%).
Os resultados do estudo mostram que preocupações sobre efeitos colaterais podem impedir os pacientes de procurar tratamento. Em geral, 26% dos entrevistados relataram que haviam decidido não procurar tratamento, pois acreditavam que as terapias anti-retrovirais provocam demasiados efeitos colaterais, sendo as respostas da Europa (42%) e África do Sul (29%) as mais prevalentes.
A partir dos dados revelados pela pesquisa, a IAPAC incentiva uma chamada global à comunidade com HIV. O objetivo da ação é aumentar a educação e discussão para garantir que os pacientes sejam mais bem informados sobre o tratamento e possam ajudar na tomada de decisões sobre a terapia.
Além disso, a ação visa promover diálogo sobre a qualidade de vida dos pacientes no que diz respeito à potência do tratamento, estratégias de dosagem, efeitos colaterais e tolerabilidade. "Os resultados do estudo ATLIS indicam que ainda há uma grande necessidade de educar pacientes HIV positivos e o ambiente ao seu redor. Os achados exigem um aumento no conhecimento global de HIV e AIDS", afirmou José Zuniga, Ph.D., presidente/CEO da IAPAC.
Ainda de acordo com o especialista, "é essencial capacitarmos os pacientes HIV positivos a participar ativamente do controle (manejo) de sua doença ao educá-los sobre a importância de aderir ao tratamento e ao ensiná-los sobre as inovações no tratamento que podem melhorar sua qualidade de vida geral".