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Prepare o seu filho para ingressar na escolinha

A educação começa em casa, noções de respeito e partilha facilitam a adaptação

Por Roberta Lemgruber


É comum os pais ficarem preocupados com a adaptação do filho quando ele ingressa na escola. Será que ele vai gostar, vai fazer amiguinhos, vai respeitar a professora... Essas são algumas das indagações que podem não deixar os pais tranquilos. Noções de convivência, de respeito ao espaço do outro e de saber compartilhar brinquedos e materiais são alguns dos pré-requisitos para que o seu filho entre na escolinha com o pé direito, se divertindo e aprendendo muito.

"A criança deve ter capacidade de compreender ordens e saber que, enquanto estiver na escola, a professora será a pessoa responsável por ela e, se houver a necessidade, a escola entrará em contato com os pais", afirma a psicóloga da UNIFESP, Maria Dirce Benedito. Confira algumas sugestões para você educar o seu filho em casa e começar a prepará-lo para frequentar a escola.

Pequenas atitudes, grandes mudanças

De acordo com a psicóloga Fernanda Spengler, do Centro Médico Louis Pasteur, em Blumenau- SC, a criança já deve participar da rotina da família (refeições, passeios, conversas) desde muito pequena, sempre enfatizando a individualidade de cada um. "Algumas atitudes podem ser praticadas antes do ingresso à escolinha, como respeitar e valorizar as escolhas da criança dentro das possibilidades, ajudá-la a organizar os seus brinquedos, incentivá-la a ter responsabilidades sobre os seus objetos e as suas atitudes e mostrar concretamente o resultado de suas ações, para que ela possa compreender a relação entre atitudes e consequências e ainda compartilhe com os demais", ressalta a especialista.

Convivência em família - Getty ImagesConvivência em família

O que não pode ser esquecido é que, para ensinar esses valores às crianças, é preciso vivenciá-los na prática, no cotidiano. Antes de tudo, ela precisa de uma rotina organizada e tranquila em casa, de modo que a família também compartilhe essas atitudes entre si. 

Segundo a psicóloga do Departamento de Pediatria da UNIFESP, Maria Dirce Benedito, o desenvolvimento infantil envolve fases. "Cada fase representa um nível de maturidade do ciclo do desenvolvimento e nos fornece subsídios para acompanharmos e avaliarmos as progressões rumo à maturidade", enfatiza.

O comportamento da criança desde o nascimento até os cinco anos de idade distingue-se em comportamento motor, comportamento adaptador, comportamento da linguagem e comportamento sócio pessoal (andar, falar, controle da urina e evacuação e compreender regras). "Cada uma dessas áreas, ao serem atingidas, garantirá à criança um grau de individualidade e autonomia que lhe possibilitará a inserção ao meio social mais amplo e com maior segurança", conta a psicóloga.

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Aprendendo a compartilhar

Em um primeiro momento, a criança ainda tem dificuldade de compartilhar porque isso significa a perda de algo que ela goste. Por isso, sente-se irritada quando alguém usa o seu brinquedo ou algo que é dela.

"Para que a criança possa começar a compreender essa relação, enfatizamos a troca,"você usa o meu e eu uso o seu", algo nesse sentido", indica a psicóloga Fernanda Spengler. Depois desse momento, é hora de introduzir o conceito de empréstimo, deixá-la usar algo com tempo determinado para devolver e estimulá-la a fazer o mesmo. 

A psicóloga da UNIFESP, Maria Dirce Benedito, explica que uma técnica interessante - principalmente quando é filho único, com pouca vivência em dividir brinquedos e brincadeiras com outras crianças - é frequentar parques e festas infantis, deixando a criança com outras de idade semelhante. Também é uma boa ideia estimular a doação de brinquedos que já não são tão importantes para o pequeno no momento.

Crianças na escolinha - Getty ImagesCrianças na escolinha

Como ensinar sobre o "respeito ao próximo"?

Essa é um processo que a criança vivencia desde bebê. "Se quem cuida dela, ao suprir as necessidades básicas da criança - alimentação, higiene e afeto -, fizer com amor, respeitando o ritmo da própria criança, sem gritos, sem hostilidade, com regras claras e papéis definidos - função do pai e da mãe -, ela se sentirá respeitada e carregará consigo esses princípios", explica a psicóloga Maria Dirce.

As crianças aprendem o que vivenciam. Quando as crianças são ainda muito pequenas, os pais representam figuras de referência, apontando certo e errado, aprovando ou desaprovando as suas atitudes e contribuindo para o aprendizado de suas condutas.

Segundo a psicóloga Spengler, ao entrar na escola, os pais precisam sinalizar para as crianças que as regras são as mesmas e que os professores estão do mesmo lado do que a família na sua educação, ocupando periodicamente esse espaço de referência.

Corrija comportamentos para ela não repetir no ambiente escolar

Problemas comportamentais, geralmente, estão ligados ao desafio ou a ausência de regras e rotinas. Crianças que convivem em ambientes extremamente rígidos podem apresentar comportamentos desafiadores em ambientes sociais, no caso a escola, como afirma a psicóloga Fernanda Spengler.  

Além disso, crianças que não recebem os limites adequados desde o início da sua educação tendem a resistir a cumprir as regras estabelecidas. "Assim, é importante manter o equilíbrio entre regras e rotinas na família. Comportamentos adequados precisam ser reforçados de forma positiva e os demais repreendidos de forma clara e tranquila, sempre mantendo a coerência entre as atitudes dos pais e as da criança", afirma a especialista. Desse modo, ela conseguirá transpor as suas atitudes para ambientes sociais, como a escola.

Os comportamentos de birra e de agressividade são comuns nas escolas e, geralmente, aparecem em situações para medir forças ou onde não há tolerância à frustração, causando sempre muito transtorno. Entretanto, ambos estão ligados à dinâmica e/ou estrutura familiar. De acordo com a especialista Maria Dirce Benedito, muitas famílias adotam o grito, a palmada e a ameaça como método de educação. "A criança copia esses comportamentos e os reproduzirá, acreditando que fazem parte do contexto social", adverte a psicóloga. 


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