Dengue ameaça mais no inverno

Mudanças climáticas, chuvas e lixo fazem doença avançar

POR ANA MARIA MADEIRA PUBLICADO EM 19/07/2010

O verão chega para agravar o pesadelo da dengue. As mortes pela doença aumentaram na estação passada e vem preocupando as autoridades, pois os casos aumentam no verão. Nos últimos dez anos, 2010 foi o ano com maior incidência da dengue


 O aumento de casos em 2010 pode estar relacionado ao retorno da circulação do vírus tipo 1, que esteve presente com maior intensidade na década de 90 e voltou a predominar em alguns estados no final do ano passado. A piora do quadro da doença, em 2010, é resultado também do aumento da temperatura e das chuvas. Outros fatores são o acúmulo de lixo e irregularidade na distribuição de água em muitos municípios. 

foto: Getty Images
Mulher doente

No Brasil, circulam os sorotipos 1, 2 e 3 do vírus. Os sintomas da doença são iguais para todos esses tipos, mas eles circulam de forma diferente ente os estados. O Ministério da Saúde alerta que quando um indivíduo contrai a doença por um dos sorotipos, fica imunizado apenas contra aquele tipo. Ou seja, posteriormente, a pessoa pode ser novamente infectada, desta vez por outro sorotipo. Além disso, quando o paciente contrai a doença mais de uma vez, aumenta o risco de desenvolver formas graves de dengue.


A piora do quadro da doença, em 2010, é resultado também do aumento da temperatura e das chuvas

O número de casos no país, neste ano, já ultrapassa a casa dos 700 mil - 120% a mais em comparação aos mesmos meses de 2009. A expectativa das autoridades é uma queda na quantidade de casos a partir de julho, quando termina o período sazonal da doença. Nos próximos dias, os municípios e estados devem intensificar as ações de combate à doença traçadas no ano passado, dentre elas, a aplicação de inseticidas e compra de remédios.

"O mais importante é prevenir a reprodução do mosquito transmissor, evitando manter objetos com água parada e, sobretudo, procurar um médico para avaliação clínica e laboratorial, assim que surgirem os primeiros sintomas, como febre alta e manchas avermelhadas pelo corpo", alerta o médico infectologista Marcelo Mendonça.

A dengue é uma doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Seus sintomas são febre aguda que se caracteriza por um início repentino, permanecendo por 5 a 7 dias. O doente apresenta dor de cabeça intensa, dores nas articulações e musculares, seguidas de erupções cutâneas 3 a 4 dias depois. Surge sob a forma de grandes epidemias, com grande número de casos. 

Os perigos da segunda infecção

foto: Getty Images
Mosquito da Dengue

Quando você já foi contaminado pelo dengue uma vez, seu corpo produz anticorpos para aquele vírus específico, imunizando contra um novo ataque do mesmo micro-organismo. Mas, se ocorre um novo ataque por outro tipo de vírus, seu sistema imunológico dispara uma reação exagerada, aumentando muito a produção de anticorpos e de outras substâncias liberadas durante infecções, que lesam a parede dos vasos sanguíneos.

Além disso, como o vírus destrói as plaquetas, (elementos do sangue envolvidos na coagulação), as hemorragias não conseguem ser estancadas. Daí surgem sangramentos em vários órgãos. A pressão arterial despenca, causando uma série de complicações -- inclusive a morte. Tudo isso em consequência da reação do seu sistema imune a um segundo ataque. 

Dengue clássica x dengue hemorrágica

Na chamada dengue clássica os sintomas não vão além de febre alta, dor de cabeça, dor nas juntas, nos músculos e atrás dos olhos, fraqueza e falta de apetite, inconvenientes que desaparecem em cerca de dez dias de repouso.

Já quando a variação hemorrágica dá as caras, a situação complica. Apesar de começar com os mesmo sintomas, ela se agrava com o passar dos dias: a febre baixa e, enquanto isso, há queda de pressão, que pode estar acompanhada de dores abaixo das costelas, suores frios, tonturas, desmaios, e a pele passa a aparentar uma textura pegajosa. Sem o controle adequado, pode haver sérias hemorragias internas, levando o paciente à morte.

Para combater esse quando mais grave, os médicos nem pensam duas vezes em lançar mão de todo um arsenal de recursos, incluindo terapias contra insuficiência circulatória, como a reposição de plasma. Nas duas variações da doença, deve-se evitar remédios à base de ácido acetilsalicílico (como a aspirina), pois podem provocar ainda mais sangramentos. Os anti-inflamatórios não-esteroides também devem ser evitados por conta de suas propriedades anti-coagulantes.

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